Data atual:24 de novembro de 2020

Titanic: A historia completa desse Fatídico Acidente

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Quase 108 anos se passaram, e com tantas histórias que marcaram o naufrágio mais famoso de todos os tempos, o Titanic segue com a mesma força no imaginário popular. Eternizado em uma série de livros, documentários e filmes, o desastre fatídico com o maior e mais luxuoso navio da época é uma epopeia e sinônimo histórico de grandiosidade, ambição, ganância e luta pela vida.

PRINCIPAIS COMPANHIAS

Titanic

É o início do século 20, e o comércio transatlântico de passageiros está altamente lucrativo. Empresas de navios competem para transportar viajantes e imigrantes ricos entre a Europa e América. Duas das principais companhias são a Cunard e a White Star Line.

A Cunard parece pronta para aumentar sua participação no mercado com a estreia de dois novos navios, o Lusitania e o Maurbtania, que devem entrar em serviço no final desse ano. Os dois navios de passageiros estão chamando a atenção por causa de sua velocidade.

Procurando responder a seu rival, o presidente da White Star Line, Bruce Ismay, cria um plano para construir uma classe de navios que eventualmente seriam conhecidos por seu conforto e grandiosidade. É decidido que 3 navios serão construídos: o Olympic, o Britannic e o Titanic.

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Cerca de 3 meses após o início do trabalho no Olympic, a quilha é colocada no Titanic. Os dois navios são construídos lado a lado em uma estrutura de tamanho sem precedentes. Para poder diferenciar os dois irmãos, o Olympic foi construído com seu casco inteiramente branco enquanto o Titanic foi construído com um casco preto. Os navios foram projetados em grande parte por Thomas Andrews.

APARÊNCIA “MODESTA” DO TITANIC

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Além das decorações ornamentadas, o Titanic apresentará um imenso salão de refeições de primeira classe, quatro elevadores e uma piscina. Suas acomodações de segunda classe serão comparáveis ​​às características de primeira classe em outros navios, e suas ofertas de terceira classe, embora modestas, ainda serão conhecidas por seu relativo conforto.

O casco é formado por aproximadamente duas mil placas de aço medindo 3 metros de comprimento por 2 metros de largura, e uma espessura de até 3,8 centímetros. Essas placas são mantidas unidas por mais de 3 milhões de rebites. Quanto aos elementos de segurança, o Titanic têm 16 compartimentos estanques que incluem comportas que podem ser fechadas remotamente a partir da ponte de comando, para que a água possa ser contida caso o casco seja rompido. O sistema leva muitos a afirmar que o Titanic é inafundável.

O navio está equipado com 20 botes salva-vidas: 15 com capacidade total para 65 pessoas, 2 cúteres de emergência que acomodam até 40 pessoas e 4 botes desmontáveis que conseguem transportar 47 pessoas. Dessa forma, os 20 barcos teoricamente podem conter 1178 pessoas. Alguns engenheiros consideram a ideia de colocar mais botes, mas a ideia é rejeitada por que ocupariam muito espaço no convés.

LANÇADO AO MAR

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Após a conclusão do casco e da superestrutura principal, o Titanic é lançado no mar, quando o complexo trabalho interior é iniciado. Mais de 3 mil profissionais trabalham incansavelmente de junho de 1911 até março de 1912, equipando o navio com as mais recentes tecnologias e inovações navais, e instalando as suntuosas mobílias e elementos decorativos jamais vistos em outros navios. Suas 4 chaminés, sendo uma delas apenas decorativa, são instaladas no navio.

O Titanic passa por testes no mar, ganhando o certificado de navegabilidade. O navio tem 269 metros de comprimento, 28 metros de largura e 53 metros de altura. Opera com uma tripulação de 892 pessoas e pode transportar até 2435 passageiros dispostos em 3 classes. A embarcação tem uma velocidade máxima de 21 nós, consumindo até 730 toneladas de carvão por dia.

INAUGURAÇÃO DO TITANIC

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O Titanic parte em sua viagem inaugural, de Southampton, na Inglaterra, com destino a Nova York, nos Estados Unidos. A bordo estão várias pessoas de destaque, incluindo John Jacob Astor, um dos homens mais ricos do mundo. Ao partir, quase um acidente. Uma embarcação menor, chamada SS City of New York e o Titanic ficaram a poucos metros um do outro. Uma eventual colisão aqui teria impedido o Titanic de partir nesse dia. O navio faz sua parada programada na Irlanda, onde mais alguns passageiros embarcaram. Ao todo, estão 2224 pessoas, entre passageiros e tripulantes.

Avisos de gelo vindos de outras embarcações são recebidos pela tripulação do Titanic e entregues ao capitão Edward Smith.

INCÊNDIO NO TITANIC

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Na parte da tarde, um incêndio que estava ocorrendo em uma das reservas de carvão desde antes da partida é finalmente apagado. Esse tipo de incidente não é incomum em grandes embarcações, mas sua intensidade é muito grande devido a uma explosão de gás e pela baixa qualidade do carvão ocasionada por uma greve de mineiros. Alguns historiadores posteriormente argumentariam que isso pode ter enfraquecido partes das paredes do casco.

ICEBERGS

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O Titanic começa a se aproximar de uma área conhecida por ter icebergs, fazendo o capitão Smith alterar levemente o rumo do navio para o sul, mas mantendo a velocidade em 22 nós, mesmo com novos avisos de gelo.

Por volta das 21 horas e 40 minutos, um aviso de iceberg é recebido pelos operadores de rádio, mas nunca é passado para a ponte de comando.
Dois vigias, Frederick Fleet e Reginald Lee, estão no ninho de corvo do Titanic. A tarefa deles é dificultada pelo fato de o oceano estar extraordinariamente calmo naquela noite, sem vento ou lua para iluminar um pouco o oceano. Como havia pouca água quebrando em sua base, um iceberg seria mais difícil de ser detectado. Além disso, os dois vigias estavam sem binóculos.

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COLISÃO

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23 horas e 40 minutos, a cerca de 400 milhas náuticas ao sul de Terra Nova, no Canadá, um iceberg é avistado pelos vigias e a ponte de comando é notificada. O primeiro oficial William Murdoch ordena uma súbita curva e que os motores entrem em reverso. O Titanic começa a virar, mas está muito perto para evitar uma colisão. O lado estibordo do navio raspa ao longo da montanha de gelo. Pelo menos cinco de seus supostos compartimentos estanques são rompidos. O navio pode flutuar com 4 desses compartimentos inundados, mas com 5 não. Se o Titanic tivesse colidido com o icebergde frente, e não de lado, os danos seriam muito menores, e o navio dificilmente teria o destino que teve. Sinais de socorro são enviados imediatamente, um dos quais chega ao Carpathia à meia noite e vinte. No entanto, o navio está a 58 milhas náuticas de distância quando recebe o sinal e levaria mais de 3 horas para chegar ao Titanic. Outros navios também respondem, incluindo o Olympic, mas todos esses estão muito longe. Um navio é visto nas proximidades, mas o Titanic não consegue contato. As mensagens podem ter sido ignoradas. O Californian também estava nas redondezas, mas sua comunicações eram sempre desligadas durante a noite.

Os camareiros vão de porta em porta, despertando passageiros e tripulação, pedindo que se dirijam ao convés dos botes.

Na terceira classe, os passageiros são em sua maior parte deixados à própria sorte depois de serem informados sobre a necessidade de ir para o convés. Muitos deles estão relutantes em cumprir as ordens, preferindo o calor do interior do navio ao ar noturno extremamente frio. Para muitos deles, não é dito que o navio vai afundar. Enquanto novas tentativas de contato são feitas, os primeiros botes salva-vidas começam a ser preparados. É difícil ouvir qualquer coisa além do vapor sendo ventilado pelas chaminés para evitar que elas explodissem quando entrassem em contato com a água. Para piorar o fato de que o número de botes é insuficiente para a quantidade de passageiros, eles são lançados bem abaixo de sua capacidade total. O bote salva-vidas número 7, que é o primeiro a deixar o Titanic, tem apenas 27 pessoas, embora tenha espaço para 65.

Mais cedo naquela noite, estava programada uma simulação para uso dos botes, mas o evento foi cancelado por razões desconhecidas. Então, a tripulação não está preparada para uma emergência, não tendo ideia de quantas pessoas os barcos podem levar. O Segundo Oficial Lightoller sugere ao capitão Smith que mulheres e crianças sejam evacuados primeiro. Enquanto isso, alguns tripulantes lutam para manter os serviços vitais, como luzes por todo o navio e energia para o rádio, para que pedidos de ajuda continuem sendo enviados. Eles permaneceriam em seus postos até o fim, garantindo assim que a eletricidade do Titanic funcionasse até os minutos finais antes do navio naufragar completamente.

A água começa a subir rapidamente pelos decks inferiores. Muitos passageiros da terceira classe ainda estão dormindo quando são acordados pela água gelada, já que muitas dessas cabines estão nos andares inferiores da proa do navio, que afunda primeiro. No convés dos botes, o caos. Mulheres e crianças choram ao se despedir de seus maridos. Sinalizadores são disparados em direção ao céu para tentar atrair a atenção de navios próximos. Enquanto os passageiros lutam e causam tumultos para entrar nos barcos, eles são entretidos pela lendária orquestra, que tenta ofuscar até o som dos tiros que são disparados pelos marinheiros para tentar manter a ordem. Nenhum dos músicos sobreviveria ao naufrágio, e eles tocariam até o último momento.

AFUNDANDO, AFUNDANDO… AFUNDOU!

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À medida que a proa do Titanic continua afundando, a popa começa a emergir para fora da água. Por volta das 2 da manhã, as hélices ficam claramente visíveis, e os únicos botes salva-vidas que restam são 3 desmontáveis. Smith libera a tripulação, dizendo “é cada um por si”. É a última vez que ele é visto na sala de comando do navio e seu corpo nunca seria encontrado.

A maioria dos passageiros tenta correr de forma desesperada para a popa, que se inclina cada vez sobre as congelantes águas do Atlântico Norte. As cordas de duas das chaminés se rompem, fazendo as enormes estruturas caírem na água e sobre alguns passageiros. A água  gelada engole tudo no interior do navio, até romper a cúpula de vidro da Grande Escadaria, principal símbolo da excentricidade e luxo do Titanic. Sendo submetido a duas forças extremas, a proa inundada puxa o navio para baixo e o ar na popa o mantém na superfície. A estrutura de aço não aguenta, e pouco depois da energia falhar, o Titanic se parte em dois, deixando a popa flutuar por mais alguns minutos, onde centenas de passageiros lutam para permanecer o maior tempo possível.

Às 02 e 20 da manhã, 2 horas e 40 minutos após atingir o iceberg, o navio se esconde da visão superficial e desliza silenciosamente para o fundo do oceano. Centenas de passageiros e tripulação são deixados no mar, cuja temperatura é de 2 graus negativos. Mais de 1500 pessoas estão nas águas geladas. A maioria delas vem a ter hipotermia. Apenas 5 delas são salvas pelos botes que chegam tarde demais.

Nos barcos, 710 pessoas sobrevivem. A maioria são mulheres e crianças da primeira e segunda classe. 3 animais de estimação também são salvos.

O Carpathia chega aproximadamente às 3 e meia, mais de uma hora depois de o Titanic afundar. O navio correu também correu um sério risco, uma vez que veio em sua velocidade máxima.

Pouco antes das 9 horas, já com a luz do dia, o Carpathia segue para a cidade de Nova York, onde chega em 18 de abril. Embora a maioria dos mortos fosse de tripulantes e passageiros de terceira classe, muitas das famílias mais ricas e importantes da época perderam membros.

Na mente popular, o glamour associado ao navio, sua viagem inaugural e seus notáveis passageiros aumentaram a tragédia. Surgiram lendas quase imediatamente sobre os eventos da noite. Heróis e heroínas – como Molly Brown, que ajudou a comandar um barco salva vidas, e o capitão Arthur Henry, do Carpathia, foram reconhecidos pela imprensa. Outros, principalmente Ismay, que havia encontrado espaço em um bote salva-vidas e sobreviveu, foram difamados.

Poucos dias depois do naufrágio, começam as discussões sobre a descoberta dos destroços. Dados os limites da tecnologia, tentativas sérias não são realizadas até a segunda metade do século 20.

PRIMEIRAS FOTOS DO NAVIO NO FUNDO DO MAR

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Em agosto de 1985, Robert Ballard lidera uma expedição a bordo de um navio de pesquisa da Marinha dos Estados Unidos. Em 1 de setembro de 1985, as primeiras imagens subaquáticas do Titanic são registradas quando suas caldeiras gigantes são descobertas a 3.800 metros de profundidade. Enquanto a proa é claramente reconhecível, a seção da popa foi severamente danificada. Cobrindo os destroços estão formações de estalactites enferrujadas. Os cientistas determinaram que as rústicas, como foram chamadas, foram criadas por microorganismos que consomem ferro, e concluíram que o navio deve desaparecer nas próximas décadas.

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